13 de fev de 2011

A formação das palavras – 2ª parte: COMPOSIÇÃO



Opa! Como vai?

Estamos em plena caminhada pelo “neomundo” gramatical. Continuaremos agora a matéria formação das palavras. Deixe a TV de lado, coloque o celular pra carregar, arrume o quarto… já almoçou?

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Dando continuidade à “formação das palavras”, veremos agora a formação por COMPOSIÇÃO.

Caso queira rever, ou ver (se não viu) a primeira parte, acesse “A formação das palavras – 1ª parte: DERIVAÇÃO”.

É como diria Bechara: a formação de palavras pelo processo de COMPOSIÇÃO “consiste na criação de uma palavra nova de significado único e constante, sempre e somente por meio de dois radicais relacionados entre si” (BECHARA, 2007, p. 355).

Percebe-se, então, que precisaremos, para cada palavra nova formação, de dois radicais no mínimo.

São três as tipologias das ocorrências de formação por composição. Vejamos:

1 – FORMA

1.1 – Composição por JUSTAPOSIÇÃO – aqui temos a formação de palavras com a junção de elementos. Isso mesmo, junção; esses elementos que irão compor a nova palavra permanecem íntegros; não perdem partícula alguma.

mãe-pátria; couve-flor; pé-de-moleque; papel-moeda; justaposição etc.

Perceba que as palavras usadas para formar outra continuam inteiras; mantêm a integridade gráfica.

1.2 – Composição por AGLUTINAÇÃO – já aqui há um processo de fusão dos elementos que irão compor a nova palavra. A estrutura gráfica e a silábica dos elementos de composição são alteradas e sua integridade é afetada.

aguardente (água + ardente); embora (em + boa + hora) (exemplos clássicos... aff. Aqui vão uns mais originais); vinagre (vinho + acre); fidalgo (filho + de + algo... fala a verdade, mudou sua vida...); cronômetro (cronos + metro) etc.

2 – SENTIDO

2.1 – Aqui trabalhamos com as noções de determinantes e determinados. O termo a ser determinado traz a ideia central e o termo determinante fecha o sentido da nova palavra. Vale deixar registrado que as palavras compostas em que o elemento determinante vem após o determinado são tipicamente portuguesas. O contrário ocorre com as composições de origem clássica. Observemos:

Escola-modelo = composição tipicamente portuguesa em que o primeiro elemento é determinado e o segundo o determinante.

Agricultura = composição de origem erudita mostrando o primeiro elemento como determinante e o segundo como determinado.

3 – CLASSE GRAMATICAL

Tomando a posição de observação das classes gramaticais, as palavras compostas podem ser formadas por:

3.1 – substantivo + substantivo

papel-moeda; manga-rosa; couve-flor

3.2 – substantivo + adjetivo (e vice-versa)

obra-prima; belas-artes; boquiaberto; amor-perfeito

3.3 – substantivo + preposição + substantivo

estrela-do-mar; pé-de-moleque; arco-da-velha

3.4 – adjetivo + adjetivo

surdo-mudo; luso-brasileiro; auriverde

3.5 – pronome + substantivo

meu-bem; Nosso Senhor; Sua Excelência

3.6 – numeral + substantivo

segunda-feira; bisneto; trigêmeo

3.7 – advérbio (bem, mal, sempre) + substantivo, adjetivo ou verbo

bem-bom; benquerença; maldizer

3.8 – verbo + substantivo

passatempo; beija-flor; cata-vento

3.9 – verbo + verbo

pula-pula; corre-corre; vaivém


Acho que já basta. Se houver dúvidas, não deixe de me falar.
Tive o prazer de, nesse mês que se passou, responder a algumas questões de uma amiga querida que entrou em contato. Foi muito gratificante.

A próxima matéria aqui da parte de morfologia será RECOMPOSIÇÃO: O CASO DOS PSEUDOPREFIXOS.

Até lá!

Fagner

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