14 de nov de 2010

As figuras da linguagem


Olá, amiga, amigo; como está?

Espero que bem.

Passei um tempinho sem postar nada aqui no PA, mas agora estou novamente enviando mais uma matéria para todos os estudiosos da lindíssima língua portuguesa. Esse tempo sem mexer no blog foi ocupado com um monte de tarefas acadêmicas. Foi uma correria só. Imaginem! Nem falo!

Mas vamos à conversa de agora. Veremos as figuras de linguagem. Espero que gostem e fiquem curiosos para saber mais sobre elas.

Antes há uma coisa importante a ser dita: esta matéria é muito mais extensa do que o que está aqui agora. Por favor, se houver interesse, entre em contato e peça um detalhamento sobre uma, duas ou todas as figuras apresentadas aqui. Prometo que mostrarei todas as veredas que nos levarão às entranhas das figuras de linguagem da língua portuguesa, ok? É fato: as figuras de linguagem dão muito mais pano pra manga do que o que costumamos ver nas aulas de português. Vamos ao trabalho, então! Pegue mais uma vez aqueles saquinhos que você comprou na mercearia do Zeca, a cola, um copo cheio de água potável, beba a água, faça-a durar bastante e continue a ler.

1- Figuras semânticas, da palavra, lexicais ou de pensamento:

Metáfora – claro! Tínhamos que começar por ela, a mais conhecida e mais manjada das figuras. Essa é fácil, fala a verdade. Nessa figura, há uma espécie de comparação, mas o termo comparativo não deve aparecer. Basicamente é comparar afirmando, entende?

O cara é um rato naquele jogo!”

Comparação – aqui sim! Há uma comparação explícita com a obrigatória presença do termo comparativo (como, tal qual, tão... quanto, que nem etc.)

“Ela pulou como uma gata

Prosopopeia (ou personificação) – trata-se da atribuição de características animadas a seres inanimados.

O mar lambeu-lhe os cabelos” (o mar não lambe, entendeu?... KKK)

Sinestesia – cuidado! Essa mexe com seus sentidos (¬.¬) Sim! É uma jogada com um ou mais dos cinco sentidos (audição, olfato, paladar, visão e tato). Geralmente são invertidos ou enfatizados no enunciado. Olha aí:

“Não quero seu beijo áspero” (a língua do cara deve ser um tijolo (metáfora)... (¬.¬))

Catacrese – essa é para os sem criatividade. Se uma coisa não tem ainda um significante, dê um que já exista e que, na maioria das vezes, não tenha nada a ver com o significado. Também podemos chamá-la de metáfora forçada ou já saturada pelo uso abusivo. Ah... você vai entender vendo os exemplos:

“Batata da perna” / “Dente de alho” / “Pé da mesa” ... e por aí vai.

Metonímia – é aquela responsável pelas vezes em que nós trocamos o nome da coisa por outro nome relacionado a ela como:

“Estava agorinha lendo Graciliano” (na verdade, estava lendo o livro dele)

Perífrase – é quando nos referimos a algo ou a alguém por meio de alguma de suas características; geralmente é uma característica que o deixou famoso. Acaba virando um tipo de apelido, entende?

“Amanhã vou à cidade verde” (Teresina – PI)

Antítese – aqui nós vemos a aproximação de conceitos opostos; mas essa aproximação é menos absurda do que a nossa próxima figura: o paradoxo.

“Tão perto e tão longe...” :(

Paradoxo – aqui as coisas já começam a ficar estranhas devido ao absurdo das oposições semânticas.

“Nosso amor é tão lindo que chega a ser terrível” (F.F.) (O.o)

Eufemismo – essa serve para amenizar as coisas quando as coisas estão no breu.

“Amor, você está fofinha” (só que às vezes não resolve...)

“... aí você pode partir dessa para melhor” (ela te mata)

Hipérbole – essa cuida dos exageros com o propósito de carregar a semanticidade:

“Estou morrendo de fome” / “Sou capaz de te dar o mundo

Ironia – essa é legal. É um recurso usado para se dizer o que pensa, mas afirmando o contrário; isso tudo com um tom sarcástico, sabe?

“Moça linda, bem tratada,
Três séculos de família,
Burra como uma porta:
um amor.”  
                  (Mário de Andrade)

Gradação – apresenta um encadeamento de ideias, uma sequência com intenção de intensificar o enunciado:

“Porque gado a gente marca, tange, ferra, engorda e mata!” (Geraldo Vandré)

Apóstrofe – é um recurso linguístico usado para interpelar seres personificados ou pessoas.

"... Adeus, ó choça do monte,
... Adeus, palmeiras da fonte!"
                                                (Castro Alves)


2 - Figuras sonoras ou fonéticas:

Onomatopeia – sabe quando precisamos representar (na fala ou escrita) os sons das coisas, animais, veículos etc.? Então:

Triiiiiim... era o despertador a me acordar”

“Porque o tic-tic, o toc-toc, ou o puc-puc da máquina me picota a cuca.” (Mário Quintana)

Aliteração – é como chamamos a repetição de fonemas consonantais.

“Teu afeto me afetou, é fato, agora faça-me o favor”.
                                                                                  (F. A. - O Teatro Mágico)

Assonância – é como chamamos a repetição de fonemas vocálicos.

A linha feminina é carimá
Moqueca, pititinga, caruru
Mingau de puba e vinho de caju
Pisado num pilão Piraguá.”
                                                     (Gregório de Matos Guerra)

Paronomásia – aqui há o jogo com palavras parecidas ou parônimas... (¬.¬)

“Oxalá estejam limpas
as roupas brancas da sexta
as roupas brancas da cesta.”
                                                (Paulo Leminski)

3 - Figuras de sintaxe:

Elipse – é quando oculta-se um termo facilmente identificável no contexto do enunciado.

“Estava à toa na vida
O meu amor me chamou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor.” (Eu estava à toa na vida; o Eu está elíptico, oculto)
                                 (Chico Buarque)

Zeugma – esta também oculta um termo; só que aqui o termo já deve ter sido mencionado antes.

“Ela é sulista; ele, nordestino” (ele é nordestino)

Hipérbato – do grego hypérbatoninversão ou transposição. É a inversão de termos do enunciado para fins meramente expressivos.

“Ouviram do Ipiranga as margens plácidas de um povo heroico o brado retumbante”
(Mostrando sem a ocorrência de hipérbato ficaria: as margens plácidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heroico)

Pleonasmo – aqui vemos a repetição de um termo ou ideia com objetivo de dar ênfase. Mas, veja bem, só há pleonasmo quando se tem a intenção de reforçar o sentido. Se não há essa intenção e o termo repetido não acrescenta nada ao enunciado, trata-se de um pleonasmo vicioso; e isso é assunto pra próxima matéria aqui da semântica (vícios de linguagem).

Viva uma vida louca, rapaz!” / “Sonhe um sonho gostoso”

Assíndeto – do grego asyndenton – “não ligado”. Aqui temos um período composto por termos coordenados sem uso de conectivo, ou seja, não conectados, não ligados, pegou? (P.C.C Assindética – logo estudaremos isso).

“Cheguei lá, banhei, almocei, descansei, li, dormi, acordei, saí.”
(para que haja a ocorrência de assíndeto, não se deve usar conjunção coordenativa)

Polissíndeto – do grego polysyndenton – “muitas ligações”. Aqui temos o contrário: um período composto por coordenação com o uso de muitos conectivos. Os termos coordenados são todos ligados pelas tais conjunções coordenativas.

“… e planta, e colhe, e mata, e vive, e morre…” (Clarice Lispector)

Anacoluto – trata-se da mudança da construção sintática no enunciado; simula um abandono de um termo no sintagma. É como se tentássemos usar um sujeito e desistíssemos no meio do caminho.

Aquela garota, eu sou encantado por ela… sou mesmo” (sintaticamente, aquela garota, coitada, ficou só)

Recentemente tomei conhecimento de um caso polêmico: um homem famoso entra numa sala de aula, vê que o tema da aula era “os males causados pelo cigarro” e pergunta aos alunos: “Quem aqui o pai fuma?”. Pegou? Cuidado com os anacolutos involuntários.

Silepse – trata-se da concordância ideológica. Essa figura ainda dá muito pano pra manga. Se quiser saber mais sobre ela, entre em contato comigo. Por agora, darei um exemplo de silepse de número.

“E o povo lá do interior, estão bem?”

Prolepse – do grego prolepsis – “tomar antes” – irmã do anacoluto. Aqui há sempre um termo deslocado, transposto para a posição inicial da oração. Esse deslocamento realça o termo ao qual foi aplicada a prolepse.

As meninas parece que vivem no mundo da fantasia”

Sínquise – essa é uma doideira quase que literalmente. Trata-se da mistura ou confusão. A coisa é proposital. Não há regra aqui. Talvez sua característica principal seja essa, ir contra as regras. O único exemplo que consegui achar rapidamente foi o que Celso Cunha nos traz:

"Lícias, pastor – enquanto o sol recebe,
Mugindo, o manso armento e ao largo espraia,
Em sede abrasa, qual de amor por Febe
– Sede também, sede maior desmaia."
                                                           (Alberto de Oliveira)

Quer saber o que significam esses versos?
Então entra em contato comigo que eu falo.


Muito bem, meu amigo, minha amiga, acho que já basta.

Muito obrigado por ler estas últimas frases. Lembre-se, a próxima matéria aqui da semântica será VÍCIOS DE LINGUAGEM.

Até mais!

3 comentários:

  1. Só para constar: Eu estive aqui e simplesmente adoro seu blog. Vou divulgar para a sala. Bjs!

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  2. Olá.

    Passei rapidinho para dizer que gostei muito desse artigo. Divulgarei seu link no fórum para novos escritores - Escreva seu livro (http://www.escrevaseulivro.com.br/forum).

    Muito obrigada.

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  3. Gostei mano pode crê você tem futuro continue!

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